Sociologia ADM – Aula 2: Sociedade e Cultura

Vimos em nossa primeira aula que a sociedade é formada por um agrupamento humano coeso cujo objetivo é produzir bens e serviços para garantir a sobrevivência de seus membros e melhorar sua qualidade de vida. Para tanto, nos humanizamos pelos processos de socialização e aculturação pelos quais passamos ao longo da vida, nos tornando e nos mantendo humanos pela convivência.

Algumas regras básicas de contrato social permitem a formação de agrupamentos:

1) Não agressão

2) Cooperação

3) Divisão do trabalho

Assim, os comportamentos dos membros de um grupo deverão cumprir, dentre várias outras regras e normatizações, essas três premissas básicas. As demais regras comuns a um grupo surgem a partir da interação de seus membros entre si e com o meio onde vivem, surgindo, então, regulamentação a respeito da formação de famílias e parentesco, instrumentos de trabalho, marcação do tempo, rituais, alimentação e outros. Conforme os grupos crescem em número de membros e extensão territorial, bem como na especialização do trabalho e no desenvolvimento de tecnologias, mais regras são desenvolvidas para abarcar as necessidades de controle social.

Como a interação entre os membros do grupo e com o ambiente vai se tornando cada vez mais específico e com a sucessão de gerações, é possível o surgimento de subculturas ligeiramente desviantes da cultura matriz. Entretanto, essas subculturas guardam ainda um eixo comum que permite a identificação de todos como membros do agrupamento original e o cumprimento do contrato social.

Ao menos assim acontece (teoricamente) a evolução da cultura como produto sócio-histórico. Assim como os produtos e serviços criados pelo grupo, a cultura é produzida como produto espiritual. Digo espiritual num sentido de tentativa de criar significados, sentidos e significantes para a realidade compartilhada pelo grupo e explicar sua origem, missão existencial e funcionamento do meio o qual habitam. Como produto sócio-histórico, ou seja, que é construído no espaço e no tempo de acordo com a vivência e entendimento dos membros e da negociação de significados, a cultura não possui atributos lógicos. Ela é desenvolvida através do entendimento das experiências de vida dos envolvidos e das negociações (políticas) entre as pessoas.

Conforme exposto na última aula, somos uma animal diferenciado dos demais porque possuímos características peculiares a nossa espécie. Mesmo características primariamente biológicas, como alimentação, habitação, reprodução, são conformadas à cultura grupal. Isso evidencia e frisa a cultura como um produto humano, ilógico, imaterial, impalpável.

Stuart Hall é um dos autores que questionam o conceito tradicional de identidade cultural

A cultura tem o efeito de controle do comportamento dos membros de um grupo, sua identificação como tal entre seus membros e por outros grupos. O objetivo desse controle é manter o grupo coeso, coerente e eliminar comportamentos desviantes. Entretanto, o conceito de identidade cultural tem sido muito discutido nos últimos anos e substituído por identificação por alguns autores.

Diante de um mundo globalizado e com cruzamentos múltiplos de aculturação, fica difícil estabelecer limites, fronteiras entre culturas. Inclusive, o que entendemos como identidade cultural de um povo é resultado de um longo processo de assimilações culturais diversas com origens que remontam aos contatos ocorridos entre diferentes grupos e à mistura de aspectos tradicionais e novas tendências culturais [clique aqui para ler reportagem sobre tendências e tradição].

Talvez, numa época anterior às grandes navegações do século 15 e 16, e o processo de colonização moderna, poderíamos considerar culturas mais isoladas e identificáveis de forma distinta. Hoje, e principalmente hoje, após 20 anos de intenso uso de tecnologia de informação e comunicação, pensar uma cultura bem delimitada, original e nítida, sobretudo em centros urbanos, é discutível.

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Sociologia ADM – Aula 1: As pessoas, os grupos e a Sociologia

Aula 1 as pessoas, os grupos e a sociologia 

Observamos na natureza diversos espécies animais que formam agrupamentos; entretanto, eles possuem características distintas. Insetos como formigas e abelhas, por exemplo, possuem uma “organização social” peculiar e que nos parece afinada e bem certinha. Mas, tal forma de funcionar de um formigueiro ou de uma colmeia está baseada na programação genética desses animais.

Animais mais complexos, como os mamíferos, também formam agrupamentos. Os primatas (macacos, chimpanzés e hominídeos) merecem destaque nas formações sociais. De certa forma, tais formações aparentam vínculos que denotam emoções primitivas, divisão do trabalho, hierarquias, entre outras características.

Os bonobos, espécie de chimpanzé, possuem formações matriarcais e fazem uso de sexo recreativo e com funções notoriamente sociais. Ainda assim, não foi observado em tais animais comportamentos com espiritualidade – num sentido de construção de significado de vida e auto-consciência coletiva e moral.

Os seres humanos apresentam características que lhe são muito próprias, pois lidam com aspectos biológicos, sociais e espirituais. Mesmo necessidades mais biológicas são distorcidas por membros da espécie humana em prol de se conformar com demandas sociais. Ingerimos bebidas e alimentos que não correspondem com nossas necessidades fisiológicas, tais como bebidas alcoólicas e alimentos ricos em gorduras trans; nos privamos do sono; fazemos sexo por recreação; deixamos de fazer sexo e nos reproduzir; enfim, adotamos diversos comportamentos que não condizem com nossa programação genética para satisfazer nossa consciência coletiva e moral.

O que nos faz humanos?

Aprendemos a sermos humanos vivendo em sociedade porque uma série de Instituições Sociais moldam nossos comportamentos para que possamos viver em sociedade. Se vivêssemos livres na natureza, como aquelas crianças selvagens que forem descritas por vários autores e no filme Mogli, não apresentaríamos características comportamentais humanas, não num sentido de imersão cultural como a que compartilhamos.

 Precisamos do convívio social para nos tornarmos e nos mantermos humanos. Podemos citar exemplos como o do senhor Wilson no filme Náufrago e do Sexta-Feira no livro Robinson Crusoe.

Como convivemos com pessoas as mais diversas, participamos de muitos (sub)grupos (família, escola, trabalho, etc) esse trabalho de socialização e de moldar nossos comportamentos se tornam ainda mais complexo, sobretudo porque não podemos excluir a influência desses. Na verdade, essas influências se sobrepõem contribuindo para a formação de nossa personalidade e identificações sociais.

Podemos apontar aí dois aspectos da construção dessa experiência de realidade: uma realidade individual, resultante de nossa biografia e percepção de nossa vida; e, outra realidade coletiva, uma interseção das diversas realidades individuais negociadas socialmente para formar a cultura.

As sociedades surgem não só com o objetivo de sobrevivência da espécie humana, mas também de melhoria de qualidade de vida. Assim, ao interagirmos uns com os outros e fabricarmos tecnologia para modificar o ambiente no qual estamos inseridos, acabamos criando cultura e espiritualidade, um significado para a vida.


E a Sociologia?

Devido a diversas mudanças nos séculos 18 e 19, houve a necessidade do desenvolvimento de ciências que pudessem contribuir com a organização social no novo paradigma capitalista industrial emergente. Esta foi a época de nascimento da Sociologia, da Antropologia, Psicologia, entre outras ciências humanas.

O objeto de estudo da Sociologia é a sociedade e os fenômenos sociais, em contraponto à Psicologia, que estudo o indivíduo e seu comportamento. Logo, essas jovens ciências humanas foram usadas para construir conhecimento sobre o comportamento e as formas de organização social, no intuito de desenvolver ferramentas de intervenção social e planejamento de ações sociais e governamentais.

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Currículos ruins, imigração e uma (falta de) perspectiva

Sem emprego na Europa, profissionais buscam Brasil para trabalhar

Há pouco mais de uma semana fui surpreendido pela notícia dos espanhóis que pioram seus currículos para conseguir algum emprego, qualquer emprego, para pagar suas contas. Atualmente, jovens com ensino superior entre 24 e 30 anos é formam o contingente com maiores chances de ficar desempregado por lá.

O mercado de trabalho está bastante competitivo: quem está para aposentar adia a saída para manter o padrão de consumo e estilo de vida; quem forma e entra no mercado fica com migalhas.

Aqui no Brasil a situação é similar. Essa é o grupo com as mesmas perspectivas. Fico triste ao ver alunos meus formando e não conseguindo emprego ou aceitando oportunidades abaixo de sua qualificação. E quando falo de qualificação não é diplomado, mas sim qualificação de fato.

E mais um fantasma assombra os jovens que buscam um lugar ao sol. Por falta de informação e de uma distorção cultural, a maioria termina o ensino médio e quer fazer faculdade. É o mito de quem tem diploma é doutor, consequência da baixa auto-estima do brasileiro.

Diversos campos de trabalho técnico crescendo em nossa economia e os jovens indo para o ensino superior em instituições de baixa qualidade e sem uma educação básica suficiente para que eles aproveitem de fato tal oportunidade. O governo estimula tal singularidade com programas de bolsas e financiamento, instituições laçam alunos na rua com pseudo-vestibulares. E seguimos importando profissionais técnicos especializados.

Com essa crise na Europa se alongando e a de 2008 que parece não terminar nunca, o Brasil parece um local ideal para imigração. Será que teremos uma nova onde de imigração como no início do século 20?

O futuro dirá… e eu torço para estar completamente errado.

Fonte: ENFU

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Tirando férias…

Tire um tempo de férias! Seu corpo e sua mente agradecem.

Talvez vocês tenham reparado que na última 4a feira não saiu meu post como de costume. Desculpem-me por não ter avisado que estaria de férias e colocando em prática o post anterior. Tirei alguns dias para descansar, aprender mais e mudar a rotina.

E por que não agendei automaticamente um post para esta 4a feira? Bem, os motivos são muitos, mas o principal é que queria muito voltar a escrever somente após a experiência do ócio (ou não) proporcionado por uma semana de férias.

Como havia lhes falado anteriormente no outro post, é comum profissionais não tirarem férias por longos períodos – o que pode ser prejudicial tanto no trabalho como na esfera pessoal, acarretando também prejuízos à saúde. Até então, quando escrevi na semana passada, eu estava nessa categoria de pessoas que vão adiando as férias continuamente e desperdiçam a oportunidade de limpar a mente dos compromissos diários.

Definitivamente, trabalhar por anos a fio sem desfrutar de tempo para refletir, descansar e planejar é um retrocesso. O ócio pode ser muito interessante se usado adequadamente. Creio que um dos efeitos mais interessantes das férias seja descobrir que existe um mundo além do trabalho e que sim, podemos, senão devemos, viver com mais gosto.

PS: A única parte ruim das férias foi descobrir que Michel Teló está bombando na Colômbia, no Chile e na Argentina…

Fonte: ENFU

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Esquentando os motores para 2012

Olá a todos!

Iniciamos na semana passada um novo semestre que promete muitas emoções.

Espero que possamos construir juntos uma experiência única e formidável para todos os envolvidos no desenvolvimento de conhecimento e também intervenções e diálogos pertinentes para e com nossos leitores.

Enquanto não começamos os trabalhos, deixo vocês com alguns posts que escrevi para o ENFU.

Boa leitura e até logo!

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